Segundo a Guarda Municipal, suspeito foi localizado após denúncia no Centro e resistiu à abordagem
Depoimentos revelam informações inéditas sobre o atendimento à criança e apontam que unidade notificou o Conselho Tutelar após identificar sinais de negligência
Foto: Câmara de Sorocaba
Segundo a Guarda Municipal, suspeito foi localizado após denúncia no Centro e resistiu à abordagem
O suspeito apresentava sinais de embriaguez no momento da ocorrência
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A Comissão Especial da Câmara de Sorocaba que investiga possíveis falhas na rede de proteção à criança e ao adolescente ouviu, nesta quinta-feira, profissionais da UPA Zona Oeste responsáveis pelo atendimento ao bebê Miguel, em fevereiro deste ano. Os depoimentos trouxeram novas informações que ainda não haviam aparecido nas oitivas anteriores.
A principal novidade foi a confirmação de que Miguel não recebeu alta da UPA, como se cogitava até então. Segundo a equipe da unidade, os profissionais incluíram a criança no sistema da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) e providenciaram a transferência para atendimento especializado no GEPAS. A informação passa a integrar a cronologia do caso analisada pela comissão.
Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, a assistente social, a coordenação da pediatria, a responsável técnica de enfermagem e representantes da administração também relataram que identificaram sinais de possível negligência durante o atendimento.
De acordo com os depoimentos, a criança apresentava assaduras, unhas longas e sujas, alimentação considerada inadequada e alterações na região genital. Diante desse quadro, a equipe acionou o serviço social da unidade.
Outro ponto inédito apresentado à comissão diz respeito ao protocolo de comunicação com o Conselho Tutelar. A equipe informou que a assistente social enviou a notificação por e-mail, seguindo o procedimento adotado para casos de suspeita de negligência. Segundo os profissionais, contatos telefônicos ficam restritos a situações com indícios evidentes ou relatos imediatos de violência ou abuso.
Durante a reunião, os vereadores discutiram a integração entre os órgãos responsáveis pelo atendimento de crianças em situação de vulnerabilidade. Os parlamentares também avaliaram a necessidade de aprimorar o compartilhamento de informações entre unidades de saúde, hospitais, Conselho Tutelar e demais serviços da rede de proteção.
Como próximos passos da investigação, a comissão decidiu solicitar novos documentos e protocolos à Secretaria Municipal da Saúde e convocar profissionais do GPACI e da Unidade Básica de Saúde responsável pelo acompanhamento da criança. O objetivo é reconstruir toda a sequência de atendimentos e verificar se houve falhas na comunicação entre os órgãos envolvidos.
Segundo o presidente da comissão, vereador Roberto Freitas, o trabalho busca identificar possíveis falhas na rede de proteção e propor medidas para aperfeiçoar os protocolos de atendimento às crianças em situação de vulnerabilidade.
O caso ganhou repercussão após a morte de Miguel Franco da Silva, de 1 ano e 2 meses, no dia 1º de junho. A criança chegou a uma unidade de saúde de Sorocaba depois que a mãe e o padrasto relataram um suposto engasgamento. Durante o atendimento, porém, a equipe médica encontrou diversos ferimentos e indícios de violência. A Polícia Civil passou a investigar o caso como homicídio. A apuração também revelou que o Conselho Tutelar havia recebido uma denúncia de negligência cerca de 100 dias antes da morte, mas encerrou o acompanhamento em menos de 24 horas.
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