Polícia encontrou vídeo gravado pela própria vítima durante a apuração do caso; investigação continua
Refugiados do Afeganistão preservam a cultura, contam a própria história e acolhem clientes como família por meio da comida típica
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Uma família refugiada do Afeganistão encontrou em Sorocaba a chance de recomeçar. Após fugir do país por causa da perseguição do Talibã, eles transformaram a própria casa em um restaurante, onde preservam a cultura, compartilham a história de vida e recebem os clientes como se fossem parte da família.
Antes mesmo de entrar no local, os visitantes deixam os calçados do lado de fora. O gesto faz parte do costume afegão e reforça que o restaurante também é a casa da família. O espaço reúne tradição, memória e sobrevivência.
Quem conduz a experiência é Musa, o filho mais velho. Ele é o integrante da família que fala melhor o português e, por isso, atende os clientes e explica os costumes do país de origem.
O pai, Sohrab Samim, contou a trajetória que levou ele, a esposa e os filhos a deixarem o Afeganistão. Jornalista, ele atuava como apresentador de TV e também como porta-voz da polícia e dos militares. Em 2021, com a retomada do poder pelo Talibã, passou a ser perseguido.
Sohrab perdeu o pai em um atentado do Talibã. Com medo pela própria vida e pela segurança da família, decidiu deixar o Afeganistão. Diante da situação, Sohrab escreveu para a embaixada brasileira. Ao chegar ao Brasil, a família foi levada para uma casa em Salto de Pirapora, na região de Sorocaba. Sohrab relata que encontrou apoio e solidariedade e costuma dizer aos filhos que o povo brasileiro foi um grande presente. A dificuldade com o idioma impediu Sohrab de conseguir emprego. A solução encontrada foi abrir um restaurante. O local recebeu o nome de Zakia, esposa dele e mãe da família. Ela é a responsável pelo preparo dos pratos típicos afegãos.
Quem frequenta o restaurante pode escolher entre duas experiências: comer à mesa, como é comum no Brasil, ou sentado no tapete, seguindo o costume afegão. A proposta é que todos se sintam em casa.
O cardápio inclui pratos tradicionais. A samosa lembra o pastel brasileiro. O mantu é uma massa cozida com carne, legumes e grão-de-bico, servida com iogurte. Também há lanche de faláfel e arroz com carne.
Mais do que uma refeição, o restaurante oferece contato com uma história marcada por perdas, deslocamento e recomeço. Uma experiência que une cultura, acolhimento e reconstrução de vida.
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