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Após viagem de cerca de 1,6 mil quilômetros desde Sorocaba, Sandro chegou ao santuário por volta das 12h30 desta sexta-feira
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O elefante Sandro chegou ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães (MT), por volta das 12h30 desta sexta-feira (18), no horário de Brasília. Antes do desembarque, a equipe responsável pelo transporte fez uma troca de veículos na última parada antes da chegada. O momento foi acompanhado pelo SBT Cuiabá, com reportagem do jornalista Rafael Medeiros.
A chegada encerra um trajeto de aproximadamente 1,6 mil quilômetros, iniciado em Sorocaba (SP) na quarta-feira (16). Segundo o Santuário, a viagem transcorreu de forma tranquila, com paradas para descanso, alimentação, hidratação, monitoramento e higienização da caixa de transporte.
Um dos cuidados durante o planejamento foi manter a rotina alimentar à qual Sandro já estava habituado. De acordo com o médico-veterinário do SEB, Mateus Bianchini, a dieta-base não foi alterada: o elefante continuou recebendo a mesma combinação de capins e vegetais oferecida no Zoológico de Sorocaba, preparados de forma semelhante e fornecidos, em parte, pelo mesmo fornecedor que atendia a instituição paulista.
Durante o percurso, a equipe também testou outros alimentos como complemento à dieta principal, sempre observando a aceitação do animal. Sandro demonstrou interesse por maçãs, enquanto o mamão inteiro já fazia parte de sua rotina anterior.
Para manter essa estrutura, o comboio transportou equipamentos de corte e preparo de alimentos, gerador de energia, caixa d’água e utensílios de higienização, o que garantiu autonomia à equipe para adaptar as paradas às necessidades do elefante.
Ao longo de todo o trajeto, Sandro permaneceu monitorado por câmeras instaladas na caixa de transporte, estrutura de cerca de 10 toneladas, cinco metros de comprimento, 3,5 metros de altura e 2,5 metros de largura, desenvolvida especificamente para o transporte de um elefante desse porte.
A partida de Sandro do Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, na quarta-feira, não foi tranquila. Depois de mais de quatro décadas no local, a saída do elefante foi marcada por manifestações favoráveis e contrárias à transferência, com tentativas de bloqueio das vias que exigiram intervenção das forças de segurança para liberar a passagem do caminhão.
Nas horas que antecederam a partida, duas novas medidas judiciais tentaram suspender a transferência: uma no Tribunal de Justiça de São Paulo e outra no Superior Tribunal de Justiça. Segundo o presidente do SEB, Raphael Bontempi Ferreira, ambas foram rejeitadas, e o transporte seguiu conforme a determinação judicial em vigor.
Sandro é um elefante asiático de aproximadamente 55 anos. De acordo com o histórico reunido pelo Santuário, ele chegou ainda jovem ao Brasil e passou cerca de dez anos em circos antes de ser levado, em 1982, ao Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, onde viveu por mais de quatro décadas.
Desde 2020, após a morte da elefanta Haisa, Sandro vivia sem a companhia de outro elefante na instituição paulista.
A transferência para o Santuário foi determinada judicialmente após anos de discussão sobre o destino do animal e mobilizou também a sociedade civil: uma petição na plataforma Change.org, criada em apoio à mudança, reuniu dezenas de milhares de assinaturas.
Com a chegada ao Mato Grosso, a viagem termina, mas o processo de adaptação de Sandro está apenas começando. Ele será recebido em uma área preparada para elefantes asiáticos machos e vai conhecer gradualmente o novo ambiente, com acesso ampliado aos espaços de acordo com seu comportamento e nível de conforto.
No SEB, o manejo é baseado em cuidados individualizados e na possibilidade de escolha: os elefantes têm acesso a grandes áreas naturais, podem caminhar sobre diferentes tipos de solo, procurar vegetação e explorar o ambiente no próprio ritmo.
Alimentação, acompanhamento veterinário e demais cuidados também serão definidos conforme as necessidades individuais do animal.
No caso de Sandro, novas avaliações e procedimentos serão realizados de forma gradual, à medida que a equipe construa uma relação de confiança com ele, sempre priorizando técnicas de reforço positivo para reduzir situações de estresse.
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