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Muito usados por décadas, telefones públicos deixaram de fazer parte da rotina; em Sorocaba, Itapetininga e Jundiaí, são 550 unidades
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Durante muitos anos, os orelhões fizeram parte do dia a dia de quem circulava pelas cidades das regiões de Sorocaba, Jundiaí e Itapetininga. Eles foram a principal forma de comunicação fora de casa, ajudando a encurtar distâncias e a manter contato com familiares e amigos. Com o avanço da tecnologia e a popularização dos celulares, esses telefones públicos deixaram de ser usados e hoje já não fazem parte da rotina da população. Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), somente nas cidades da região são mais de 550 telefones de uso público. Sorocaba concentra 188 unidades, seguida por Jundiaí, com 170. Itapetininga conta com 107 aparelhos, enquanto Itu tem 88 orelhões instalados.
Presentes em ruas, praças e pontos de grande circulação, os orelhões marcaram gerações. Bastava uma ficha ou um cartão para ouvir um simples “alô” e matar a saudade de quem estava longe. Aos poucos, porém, a tecnologia colocou esse mesmo contato na palma da mão, e os aparelhos passaram a ser vistos apenas como parte da paisagem urbana.ndo daqui
Os últimos cerca de 30 mil orelhões ainda existentes no Brasil já têm prazo para serem retirados. A remoção deve acontecer até o fim de 2028. Esse processo, no entanto, já pode começar, já que o contrato de concessão com as operadoras de telefonia terminou em dezembro de 2025.
Para quem viveu o auge desses telefones, a lembrança ainda é viva. Comerciantes recordam o movimento intenso de pessoas em busca de fichas e cartões, enquanto moradores contam histórias de ligações longas para parentes distantes. Teve também quem passou a época da faculdade usando o orelhão para falar com os pais e quem, hoje, vê os aparelhos servirem apenas como suporte improvisado para objetos.
Já para as crianças, o orelhão virou quase uma peça histórica. Muitas nunca usaram um telefone público, mas sabem da importância que ele teve no passado, graças às histórias contadas pelos mais velhos.
De acordo com a Anatel, com o fim da concessão, as operadoras ficam autorizadas a retirar os equipamentos, seguindo orientações técnicas e em diálogo com os municípios. As prefeituras podem acompanhar o processo e indicar locais onde a retirada deve ocorrer, especialmente quando os aparelhos não têm mais função ou representam risco ao espaço urbano.
Os orelhões vão deixar as ruas, mas as memórias permanecem. Em Itu, por exemplo, um enorme orelhão instalado na Praça dos Exageros segue como símbolo dessa história, lembrando visitantes de uma época em que a comunicação dependia de moedas, cartões e um pouco de paciência. Mais uma marca do interior paulista que resiste ao tempo e às mudanças.
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